#0 – E agora?

 

Cenas e Coisas #0Pois… Como dizer… Por onde começar? Não vou pensar muito (mais) nisso. Não é o primeiro blog que tenho. À semelhança dos outros*, foram vários os nomes que considerei para a coisa, mas, se há competência que tenho vindo a cultivar, é a de não perder demasiado tempo com detalhes secundários com a falsa expectativa de ser possível atingir a perfeição e ficar 100% satisfeita com o resultado. Um nome está longe de ser um detalhe secundário [o peso de um nome!], mas esse é o menor dos meus problemas, e não interessa certamente para o caso, como espero se venha a compreender mais cedo que tarde aqui por estas bandas.

*(um parêntesis, e um asterisco, para esclarecer: não foram assim tantos blogs; o primeiro foi sol de pouca dura, chamava-se LenteMente Lentamente, ou algo do género, e era só para partilha de fotografias – acabou por se transformar numa página no facebook chamada Reflexos Condicionados, com o mesmo objectivo; era uma espécie de gaveta ou prateleira onde arrumar ideias, ou colocá-las de parte, mais ou menos arrumadas, para deixarem de chatear – tanto – e reduzir a tralha mental que me impedia e impede regularmente de ter alguma clareza de espírito digamos; depois, criei um semi-anónimo chamado “Confissões de uma Procrastinadora em Recuperação” – não que a Procrastinadora tenha recuperado e deixado de o ser mas, por vários motivos, esse foi um blog que se tornou invisível e desapareceu no éter; era mais uma gaveta onde arrumar ideias, mas desta vez num tom mais intimista, confessional – como aliás o título deixava adivinhar, – e foi por isso mesmo que era semi-anónimo e se tornou invisível; finalmente, criei o blog da Amarelo Torrado, que ainda existe e está em modo sabático, mas sobre esse hei-de falar várias vezes porque… tem tudo a ver com Cenas & Coisas)

Um post #0 em qualquer blog pode ser muitas coisas, mas parece-me que faz todo o sentido que seja uma tentativa de resposta à pergunta: porquê *este* blog? Porquê este e não outro? Porquê qualquer um, aliás? Não há já tralha suficiente por aí?

Enquanto escrevo este primeiro texto ainda não tenho bem definido até que ponto é que vou pôr a boca no trombone, e dizer seja a quem for que ele existe e que me meti nisto. Se vou ou não associá-lo a uma página no facebook, se vou enviar o link a amig@s, se sequer vou contar ao meu mais-que-tudo que, mais-que-ninguém, me conhece e sabe o que a casa gasta, i.e., sabe a facilidade que tenho em divagar e dispersar-me, e a dificuldade que isso me cria em sei lá quantas dimensões da minha existência. E não sei se o vou ou não fazer porque o objectivo, antes de qualquer outro, é egoísta. Completa, absoluta, definitivamente egoísta. Tudo o que dele possa eventualmente ocorrer de benéfico para terceiros, é apenas e só uma consequência de um acto que tem como primeiro propósito o de me servir a mim mesma. O outro motivo para não o divulgar é porque estou a inventar à força toda, e normalmente uma pessoa divulga alguma coisa de que se orgulha, e ainda é cedo, muito cedo para isso. Mas como já dei a entender umas linhas atrás, penso demasiado nas coisas ao ponto de não chegar a fazê-las, e estou a fazer um esforço consciente, mesmo que doloroso, para que “isto” seja a exacta antítese do meu “eu” do costume.

A pensar nisto, se calhar é melhor começar por dizer o que não é este Cenas & Coisas:

  • Não é um projecto de divulgação, promoção ou venda (embora o objectivo seja dar um passo para chegar a um projecto que é isso mesmo).
  • Não é um exercício de narcisismo, exibição, vaidade ou uma tentativa de chamar a atenção para a minha pessoa (embora corra o risco de parecer; não prometo que não haja mal-entendidos…).
  • Não é o equivalente “blogueiro” ao livro de auto-ajuda (se me ajudar a mim própria está de bom tamanho).
  • Não é uma coisa muito pensada, ou melhor, muito bem pensada, com cabeça, tronco e membros, princípio, meio e fim, e tudo e tudo e tudo, onde sei o que vou escrever à partida, a ordem pela qual o vou fazer, as categorias e temas que vou abordar. São Cenas & Coisas, e tudo vale. Porque sou eu que mando aqui. 😛 E inclusive, no momento que escrevo estas palavras, estou a alterar o texto inicial. E é bem possível que volte a fazê-lo.

Se pelo menos este último ponto não se tornou já óbvio, a “este” ponto, então é porque estou a trabalhar mal, e não me estou a explicar bem. Porque se há coisa que este blog vai ser é uma espécie de diário de bordo misturado com muro das lamentações e confessionário, onde escrevo quase ao ritmo do pensamento (pronto, vou fazer um esforço para filtrar a coisa, mais ou menos, e exercer algum autocontrole no momento de carregar no “publicar”, mais ou menos também), mas, dizia eu, onde escrevo quase ao ritmo do pensamento, sem hesitar (muito) nem me preocupar (demasiado) com o que a eventual alminha que decidir ler estas minhas palavras, por sua conta e risco!, mesmo que na diagonal (e provavelmente movida por uma certa atracção pela desgraça alheia como alguém que abranda o carro quando passa por um acidente na estrada), vai pensar. Só se vive uma vez, e diz quem sabe (não esta coisa de só se viver uma vez, atente-se) que se perde mais por não arriscar e não nos expormos, do que por arriscar e fazer figura de tola. Não se vive até se ter sido tola, e nos termos encolhido com vergonha, a olhar para todo o lado à procura do buraco mais próximo onde nos enfiarmos. Mas podia perfeitamente viver-se (já não vou a tempo, mas gostava de saber o que é isso). Confesso que me estou a sentir um pouco nua, e não está mais ninguém aqui…

Adiante.

Apesar de todas as dúvidas, e da falta de noção sobre onde é que isto vai parar, uma coisa é certa: hei-de ter oportunidade de discorrer longamente sobre todos estes assuntos ou pseudo-assuntos que acabei de aflorar. Espero que não tenha muuuita oportunidade, porque uma das intenções é que este seja um blog provisório, o mais temporário possível, apenas uma fase de transição entre uma coisa (já lá vamos) e outra coisa (havemos de lá chegar). Uma espécie de ponte ou, para quem é dado a referências religiosas, uma espécie de purgatório onde é decidido o destino do sujeito. Ou sujeita, no caso.

Esta analogia acaba por ser bastante adequada, porque o Cenas & Coisas pretende mesmo ser uma espécie de viagem, solitária é certo, mas, como sabem, “misery loves company”, e eu gostava de ter quem me acompanhasse e orientasse um pouco nesta quimera, ou pelo menos trouxesse o gelado de chocolate e o café para podermos partilhar (o gelado pode ser de chocolate negro, mas não precisa de ser gelado desde que tenha chocolate a sério; o café, esse, só precisa de ter cafeína) no que corre sempre o risco de se tornar uma sessão de auto-comiseração num sofá virtual. Vou fazer por torná-lo confortável. Embora pela amostra – parágrafos longos, pontuação, que eu tanto aprecio no meu dia-a-dia, escassa, – a cena não prometa grande coisa. Mas acreditem que tem a sua razão de ser: se escrevo assim é porque escrevo quase ao ritmo do pensamento, por isso é para ler depressa, sem fôlego, e de forma meio atabalhoada mesmo.

O #1 não sei exactamente o que vai dizer, mas posso garantir duas coisas: vai seguir-se ao #0, e vai ajudar a perceber um pouco melhor, por pior que seja, o que acabei de (tentar) dizer sobre o objectivo deste Cenas & Coisas. Mas como costumo dizer a mim mesma em jeito de note-to-self: uma coisa de cada vez, ou duas ou três, vá.

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One thought on “#0 – E agora?

  1. Pingback: #1 – Agora… vamos por partes | Cenas & Coisas

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