#1 – Agora… vamos por partes

Pressinto que os primeiros textos deste blog vão assemelhar-se e muito a um sketch d’A Vida de Brian (se não conhecem, shame on you!), onde há uma reunião para preparar uma reunião para preparar uma outra reunião para preparar uma suposta acção que nunca mais sai da mesa, porque há sempre mais uma reunião preparatória a realizar.

Cenas e Coisas_1aAntes de começar isto do Cenas & Coisas mais a sério, importa fazer uma espécie de ponto de ordem [pressinto que, como no caso do tal sketch, este é apenas o primeiro ponto de ordem de muitos], porque imagino que o texto #0 não tenha deixado ninguém muito esclarecido (e falo por mim: se voltar a lê-lo, mais uma vez que seja, sou menina para o alterar novamente e, pior, apagá-lo ou, já que estamos nisto, apagar tudo e deixar-me de… coisas!). Mas às vezes há que desenrolar e desemaranhar o novelo todo para depois se conseguir fazer alguma coisa de útil com ele.

Assim sendo, o que vou tentar fazer nesta minha diatribe é alinhavar (já que estamos numa de manualidades) os vários tópicos que vão guiar, de forma umas vezes mais desenfreada que outras, este projecto que pretende ser o mais temporário possível. [Agora que penso nisso, e como ainda não sei bem como isto se vai desenrolar, existe a possibilidade de esta cena #1 ser só uma tomada de balanço para a cena #2, mas logo vejo.]

∞ ∞ ∞

Como disse antes, criei este blog como uma espécie de diário de bordo e plataforma preparatória, transitória, para me lançar na aventura de (re)criar o meu projecto de negócio [rai’s partam as palavras que ainda me causam comichão…]

A Amarelo Torrado, a.k.a. “Fase 1”, nasceu como uma marca de cadernos artesanais feitos por moi-même, desde o corte dos miolos, à costura e aos acabamentos finais. O que os distingue é a capa, o único elemento produzido de forma não-artesanal, e que consiste em imagens que crio a partir de fotos minhas originais, com as quais brinco para construir padrões. Comecei a brincar com as fotografias desta forma bastante tempo antes dos cadernos verem a luz do dia, e a Amarelo acaba por reunir algumas das coisas que mais gosto de fazer e explorar e aprender, ou pelas quais sou mesmo obcecada, entre elas a fotografia, padrões e simetrias, e trabalhos manuais em geral. Sempre adorei cadernos enquanto objecto em si mesmo, e desde pequena que gosto de ter a sua companhia, seja apenas para olhar, seja para usar. Podem ser um objecto decorativo, mas são sobretudo uma tela em branco, um mundo inteiro nas nossas mãos. Mas! E dizem que há sempre um “mas” – e eu tenho imensos, a par com reticências, “se’s” e “nos entantos” – desde que comecei a congeminar a ideia de criar um negócio meu à volta dos padrões, que os imagino em muitos outros objectos.

∞ ∞ ∞

Por vários motivos, não tenho conseguido reunir os meios (entenda-se por meios, o tempo, a energia, o dinheiro, e também ou sobretudo a capacidade de organização e concentração, e a coragem), para levar a Amarelo Torrado mais além, e desenvolver tudo o que imaginei e imagino que ela possa ser, e o que eu possa fazer dela e com ela e através dela.

Depois de muita frustração acumulada, a começar comigo própria, acabei por interiorizar o facto de que algo tinha e tem que mudar. Não quero que a Amarelo, tenha ela que nome tiver, seja apenas um hobbie, muito menos que seja “apenas” mais um projecto, uma ideia que ficou a meio, por concretizar, guardada numa gaveta a abarrotar de derrotas e desilusões e frustrações. E se é para falhar, que falhe por ter tentado e não por não ter corrido o risco de acertar. Também não quero que se transforme em mais um rol de obrigações que me prendem a uma rotina sem sentido. Pelo contrário: quero que seja um espaço de liberdade crescente, e que as obrigações que dela advenham tenham um propósito, e nasçam da minha vontade consciente e como consequência da minha iniciativa.

Por tudo isto e muito mais, cheguei a um ponto em que me obriguei a reconhecer e assumir a inevitabilidade e o compromisso de mudar. Mudar a forma como faço as coisas e, a montante disto, a minha atitude, a forma como lido com os desafios, como me conduzo e apresento e comporto no dia-a-dia, e como encaro ou fujo das dificuldades e dos meus propósitos e intenções e sonhos planos. Antes de pensar sequer em “fazer” a Amarelo a sério, tenho que me levar a mim mesma mais a sério. Sem nunca perder o sentido de humor e a capacidade de me rir de mim própria, é certo, essas ferramentas tão essenciais à sobrevivência quanto o oxigénio e o chocolate.

∞ ∞ ∞

Chegada a este ponto, são muitas as tarefas, as decisões, as hipóteses, e muitas as dúvidas que tenho pela frente. É tudo isso que pretendo partilhar e registar aqui. Escrever é uma forma de organizar ideias, de reflectir sobre elas, e é apenas um primeiro passo para as materializar sem ser só no papel, físico ou virtual. Fazê-lo desta forma, publicando o processo todo para quem tropeçar aqui encontrar, sabendo que corro o risco que alguém tropece de facto, obriga-me e permite-me também estruturar melhor as coisas, agora com um sentido de responsabilidade acrescido, nem que seja por orgulho. Basicamente, estou a criar condições para ser bem-sucedida ao criar condições para que o contrário seja especialmente dramático e difícil de digerir. Se calhar esta é uma lógica com pouca lógica para muita gente; para mim, e nesta altura do campeonato, faz todo o sentido. E também, assim com’assim, já estou por tudo. Mas adorava saber qual é a experiência de outras pessoas em situações quimeras semelhantes à minha.

E então é isto, e aqui ficam alguns dos tópicos que pretendo “atacar”, organizados sem qualquer hierarquia nem grande preocupação com a lógica da coisa. É uma espécie de brain dump com uns pontinhos no início para se tornar mais fácil de ler. Esta lista está em construção, claro, e é também um exercício que me vai ajudar a organizar o próprio blog através daquela coisa assustadora das categorias e das etiquetas.

  • Organização pessoal, gestão do tempo, rotinas, hábitos, rituais de cuidado próprio.
  • Desenvolvimento de produto, branding, identidade de marca, estratégia, comunicação, marketing, redes sociais, copyright, blogging.
  • Burocracia, logística, “números”.
  • Aprendizagem, experiências, recursos, motivação, inspiração.

∞ ∞ ∞

E pronto. Já faltou mais para avançar alguma coisa que se veja: uma de cada vez, ou duas ou três. Se porventura alguém estiver a ler estas linhas, “um dia destes”, e se identificar com alguma delas, adorava (mas adorava mesmo) saber da vossa própria história, dos altos, dos baixos, dos ziguezagues, e das cenas e coisas com que tiveram que lidar. Contem-me tudo! Mesmo!

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