#6 – 8 passos de cada vez, para começar

6_Cenas e Coisas_6Faço uma pausa na série “Um hábito de cada vez” porque… porque me apetece. Nunca tive muita capacidade para me concentrar apenas e só numa coisa (caso não tenham dado conta), e acho que quem se dá (ou der) ao trabalho de ler o que para aqui escrevinho merece uma pausa para desanuviar tanto ou mais que eu.

No caso, desanuviar pode não ser o termo mais indicado, mas anda lá perto. Não é como se não tivesse já avisado que, de vez em quando, preciso de fazer um ponto de ordem, e aqui há dois motivos para isso (sem ordem de importância):

  1. Este é um blog com um objectivo definido, por mais vago que possa parecer, que não se resume a partilhar a minha luta com questões de disciplina e organização para a qual os hábitos são armas importantes.
  2. Os hábitos que quero e estou a cultivar não são um fim em si mesmo, mas um meio para chegar a esse objectivo.

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Uma das dificuldades que tenho é refrear a minha tendência para o divaganço – na escrita e no pensamento que, melhor ou pior, a ela dá origem; na tomada de decisões e escolhas; e também na pesquisa, em que facilmente me perco à procura do tal manual de instruções à minha medida, e que não existe, entre outras coisas.

Em relação a esta cena da “pesquisa”, decidi destralhar e fazer um esforço de contenção quanto ao número de blogs, websites, autores, a que recorro como apoio e fonte de informação para me orientar nesta quimera. Porque caio no excesso de informação que acaba por me afogar, assoberbar, paralisar, e deixar completamente desorientada.

A agenda-bala é também aqui uma ajuda preciosa: uma das colecções que criei é uma lista de recursos “base”, mais ou menos organizada por tópicos: arts&crafts, manualidades, fotografia (i.e., coisas que quero aprender e/ou aperfeiçoar); estilo de vida, cuidado pessoal; empreendedorismo, criação e desenvolvimento de um negócio e marca, organização e planeamento, e yada-yada-yada.

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Um dos recursos-base que está no topo da lista deste “yada-yada-yada” (e que eu tento manter o mais limitada possível, o que não é difícil, não porque não “tropece” em mais recursos potenciais, mas porque me esqueço de os incluir na dita lista e, assim com’assim, se me esqueço é porque não seriam tão memoráveis e importantes quanto isso… espero)… onde é que eu ía mesmo? Ah. Um desses recursos é o Create & Thrive da Jess Van Den, em especial o seu podcast, direccionado – adivinharam – para quem, como eu, melhor ou pior, em fase mais avançada ou preparatória, está focado em criar e desenvolver o seu próprio negócio “criativo”.

Houve vários motivos para o Create & Thrive ganhar lugar de honra na minha lista. Já conhecia o website e faz tempo que tinha subscrito a newsletter, mas nunca tinha explorado muito a cena. Recentemente, numa sessão de destralhamento da caixa de correio electrónico, houve um episódio do podcast que me chamou a atenção. Depois de o ouvir, decidi começar do início e… foi o início de uma bela “amizade”. É curioso porque, diferenças à parte, identifiquei-me com alguns detalhes do percurso da autora, e o timing em que comecei a ouvir o podcast foi também curioso, quase “serendipitous” (google it!). Ao ponto de ganhar coragem e decidir enviar-lhe um email “só naquela”, de forma um pouco instintiva e sem esperar nada em troca, só com a postura “para que saiba”. E tinha a enorme vantagem, claro, de a Jess Van Den ser australiana e se encontrar literalmente do outro lado do planeta, o que me dava à-vontade suficiente para me expôr sem receio de me sentir tola (muito tola, pelo menos). E não é que ela respondeu? De forma super-atenciosa e simpática e generosa, até? Se ouvirem o podcast, vão perceber que não foi assim tão surpreendente, porque a voz e o tom transparecem isto mesmo. Gosto disto. Mas adiante.

Um dos episódios que ouvi é precisamente sobre os passos essenciais para transformar um hobbie que nos apaixona num negócio de sucesso. O título aliás é “8 Steps to Turn Your Passion Into a Successful Business” (episódio 10). Decidi escrevê-los bonitinhos (mas não muito, se não já ía na 10ª versão e ainda não estava satisfeita), e afixar a folha na parede do meu “pseudo-escritório”. Apontei também num mini-caderno, um dos que anda sempre comigo, em jeito de recordatório para me ajudar a manter presente o que parece óbvio, e é óbvio – ao ponto de facilmente cair no esquecimento.

Estes 8 passos são uma espécie de mapa que orienta, aponta a direcção, sem ser restritivo e demasiado concreto, quase como se se tratasse do tal “livro de instruções” que não existe: dá-nos antes algumas balizas para não nos desviarmos do caminho e nos conseguirmos manter focados no que interessa.

Recomendo vivamente que sigam o podcast e assinem a newsletter, caso entendam bem inglês, em especial inglês com pronúncia australiana.

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Podem ir já directamente ouvir o episódio (esperem só mais um bocadinho!). Estes 8 passos têm servido, mesmo que não salte à vista, para organizar ideias, inclusive aqui no blog, e vou debruçar-me sobre cada um deles em maior detalhe noutros posts, um de cada vez. Por enquanto, faço um pequeno resumo em jeito de introdução, numa tradução livre:

1. Identificar osweet spot” entre o que queremos e gostamos de fazer e as pessoas estarão dispostas a comprar:

– Resume-se a definir o produto ou produtos que vamos vender, e basicamente é um ponto de partida para o USP, Unique Selling Point, palavrões com que já me tinha cruzado antes mas que explorei e estou a explorar melhor através de um outro recurso da “lista”, o Aeolidia, e que apresento depois (descoberto através deste episódio do Create & Thrive, aliás).

2. Ser (um pouco) obsessiva:

– Também podemos dizer “apaixonada”, para retirar o cunho patológico à coisa. Trata-se de reflectir e perceber o “Porquê” que nos leva a enveredar por um projecto. É esse “Porquê” que nos vai ajudar a manter o foco e o ânimo, sobretudo quando nos apetece desistir.

3. Ser consistente, consistente, consistente:

– A repetição não é minha mas da Jess. Porque é mesmo, mesmo, mesmo importante: trabalhar todos os dias para avançar no nosso projecto, mesmo que seja um passo pequenino, quase insignificante. O importante é avançar e para isso há que ser consistente, e tornar este trabalho num autêntico hábito diário.

4. Falar a toda a gente do nosso projecto:

– Contar o que fizémos e estamos a fazer, como, quando, onde, porquê, a toda a gente. Pronto… talvez possamos poupar o desconhecido que está sentado à nossa frente no comboio, ou com quem nos cruzamos na rua (mas não necessariamente! Depois explico.) O importante é dar a conhecer o projecto, não só porque de outra forma ninguém sabe da sua existência, mas também porque este é um exercício que nos permite organizar ideias e, ao mesmo tempo, as torna mais reais. As palavras têm poder criador, as que escrevemos e também as que dizemos, ao materializarem e tornarem as nossas ideias, planos, projectos, mais palpáveis.

5. Aprender constantemente, todos os dias:

– Seja de que forma fôr, em que área fôr, é essencial não parar de aprender e evoluir. Cultivar uma mentalidade e atitude curiosa, quase infantil no sentido de sermos capazes de olhar para nós mesmos e para o que nos rodeia com olhos de criança, como se houvesse todo um mundo a explorar, à espera de sr descoberto. Aperfeiçoar, refrescar, adquirir novos conhecimentos e novas competências, permite-nos melhorar e estimula a criatividade e a capacidade de resolver problemas.

6. Diversificar o que vendemos, como e onde vendemos:

– Tudo isto é ou começa por ser um processo de tentativa e erro. Não nos devemos acomodar a uma fórmula só porque nos é familiar ou foi testada e comprovada por outras pessoas que têm autoridade e experiência na matéria. Aliás, estas mesmas pessoas adquiriram essa mesma autoridade experimentando e falhando. Há que experimentar novas soluções e novas ideias, para percebermos o que funciona melhor ou não, e também para não termos os nossos ovos todos no mesmo cesto.

7. Experimentar coisas novas:

– Um pouco no seguimento do ponto anterior, há que sair da nossa zona de conforto e mantermos uma mente aberta a novas ideias e experiências. Podem revelar-se as piores ou as mais tolas, mas temos que nos colocar à prova e expormo-nos a coisas novas, para estimular novas ideias ou mesmo para reforçar a nossa convicção em relação às “velhas”.

8. Avançar antes de estarmos ou nos sentirmos preparados:

– Se o ponto 5 é o mais fácil de todos para mim (difícil é conter a minha vontade de aprender…), este é o mais difícil (taco a taco com o 4, talvez). Mas é também, ou por isso mesmo, o mais importante. Avançar antes de nos sentirmos 100% preparados, caso contrário, corremos o risco de nunca avançarmos com nada. Nunca está tudo pronto e acabado na perfeição, sem qualquer ponta solta ou margem para melhoramentos. Mas só se arriscarmos é que vamos conseguir identificar o que há a melhorar, de forma mais concreta e certeira.

E não esquecer, claro, o óbvio (mais uma vez, e sempre, o óbvio!):

Ninguém o pode fazer por ti!

Eu sei… Óbvio… Dah… Mas nunca é demais recordar! Esta frase tem tanto de óbvio quanto de assustador e, paradoxalmente, libertador. Agora é passar aos próximos passos, porque estes são só os primeiros, e cada um deles pode dividir-se em muitos outros, mais pequenos e mais fáceis de digerir. E são também o ponto de partida para passar a outros tantos passos, mais concretos e práticos, e de que hei-de falar e atravessar também por aqui.

Agora íde vocês também e dai passos. Pequenos, grandes, com empurrões e tropeções e mais os -ões que quiserem pelo meio, e se precisarem de fazer uma pausa para recuperar o fôlego, podem parar um pouco por aqui e contarem-me tudo. Ninguém dá os passos por nós, mas sabe bem ter quem nos incentive ou simplesmente nos ofereça o seu ouvido ou ombro. Ou quem traga uma embalagem de gelado de chocolate e duas colheres. Óbvio!

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4 thoughts on “#6 – 8 passos de cada vez, para começar

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