#7 – Essa coisa do “sweet spot”* – parte I

Parte II (já está!) aqui
*Não traduzo porque “ponto doce” e possíveis variações não me soam nada bem, e também porque, por mais que goste desta nossa língua, o inglês tem uma capacidade de síntese que é difícil de igualar.

7_Cenas e Coisas_7Há que começar pelo princípio, e por aqui há muitos princípios. Um deles, e que é enunciado pelo primeiro passo da lista de que falo um pouco no texto anterior, é, usando as palavras da Jess Van Den, autora da dita, “encontrar o “sweet spot” que combina o que adoramos fazer com o que as pessoas querem comprar”. É… tricky, portanto.

Podemos ter mil e uma razões para criar um negócio nosso, só nosso; motivações, paixões e vontades à parte, um negócio só existe se tiver um produto para vender e que alguém queira comprar, claro. Pode ser um produto-produto, ou pode ser um produto-serviço.

Para mim, o que faz sentido é focar as energias que me sobram depois do trabalho “diurno”, das tarefas domésticas, da vida familiar e do mínimo dos mínimos de cuidado pessoal, num produto que me dê gozo criar, que seja uma extensão ou um reflexo de mim mesma, que tenha a minha cara. Alguma coisa que seja ela própria criadora de energia, e não sugadora de energia, por mais que implique esforço e tempo. Por outro lado, se a ideia é que seja mais do que um hobby, também não faz sentido fazer produtos que não têm qualquer potencial de venda, em que as pessoas não estejam interessadas e muito menos dispostas a comprar.

∞ ∞ ∞

Confesso que os parágrafos que se seguem, e que ainda não sei bem quantos vão ser e o que vão dizer em concreto, estão a substituir outros tantos que tinha escrito no papel e que comecei a passar para aqui, mas que optei por apagar. De forma muito mais ou menos resumida, era basicamente eu a divagar (what else is new?) sobre como é fácil bloquear e desistir de ir para a frente com qualquer tipo de projecto, seja de negócio ou só algo feito na desportiva mas que também implica “chegar” aos outros, porque achamos que ninguém vai estar interessado, ou que já há quem faça algo de semelhante mas com muito mais qualidade, e blá-blá-blá. E sim. É verdade em parte, e temos que ter algum bom senso e muita capacidade de auto-crítica, para não cairmos no ridículo, e nos tornarmos parte de uma espécie de “resumo dos piores” de um daqueles programas de talentos que dão na tv, onde é difícil não nos rirmos ou ficarmos atónitos com a falta de noção do pessoal.

Falta de noção à parte, portanto, e identificado o tal do “sweet spot”, não faz sentido deixar de avançar seja com o que for por receios deste género: todos temos alguma coisa que mais ninguém tem, a nossa forma de fazer, a nossa linguagem criativa, a nossa “assinatura”. Há muito mais “ingredientes” para esta coisa de cozinhar um projecto e torná-lo alguma coisa que se veja, mas para ligar tudo isto, temos que exercitar o tal músculo da coragem, mandar a falta de confiança às urtigas, e assumir a nossa própria identidade: fazer seja o que for de forma genuinamente nossa. Pode parecer um cliché, uma ideia retirada de um livro de auto-ajuda, mas não é menos verdadeira por isso. Desde que a intenção não seja dominar o mundo e criar uma multinacional, existe potencial para haver quem goste, quem se identifique, e para construirmos alguma coisa com sentido. Trata-se depois de arranjar formas de chegar a essas pessoas, a “nossa gente”, o nosso nicho. Mas vamos por partes.

∞ ∞ ∞

Acabei por divagar mais do que queria, quando o que quero realmente (tentar) dizer neste texto nesta série de textos tem que ver com dois aspectos do meu “sweet spot”. Tratam-se das bases para definir o produto ou os produtos que quero criar para oferecer:

  1. O que adoro fazer, acho que faço bem e com um cunho pessoal, é algo que me distingue e tem alguma coisa de diferente do que já possa existir de semelhante.
  2. Os produtos que quero criar e que são um reflexo da minha forma de ver o mundo, dos meus interesses e preocupações, e que têm ao mesmo tempo potencial para prestar um serviço a quem os compra, i.e., acrescentar alguma coisa ao seu dia-a-dia, mesmo que de forma singela ou subtil.

Isto parece muito vago, e é, mas vou tratar de concretizar já a seguir no resto desta série sobre o “sweet spot” de que fala a Jess Van Den. Porque é muita informação para processar, e isto corre o risco de se tornar tortuoso de ler (e de escrever). Uma coisa de cada vez, ou duas ou três, vá. E depois… logo se vê!

Inté!

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3 thoughts on “#7 – Essa coisa do “sweet spot”* – parte I

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