#8 – Essa coisa do “sweet spot”* – parte II

Parte I aqui

8_Cenas e Coisas_8Já não é a primeira vez que o digo, em jeito de aviso, e não há-de ser a última: gosto de fazer muitas coisas, e não consigo ficar concentrada durante muito tempo numa só.

Nada me deixaria mais satisfeita do que poder aprender e desenvolver e aperfeiçoar e experimentar tudo e mais alguma coisa que se relacione com artes, ofícios, manualidades, e por aí fora. Está mano a mano com poder comer o chocolate e as javardices todas que me apetecesse, sem qualquer preocupação ou restrição. Mas infelizmente não posso. Em relação a comer, é relativamente simples lidar com o apetite, até porque só uma guloseima ou outra, de vez em quando, torna a ocasião mais saborosa, além de me poupar a dissabores que dispenso. Em relação às coisas que gosto de fazer e que gostaria de aprender, a gestão já é mais complicada…

Tive que me obrigar a sentar com papel e caneta e apontar ideias. Uma colecção que incluí na minha agenda-bala é precisamente de coisas que gostava de aprender. Incluí tudo: não só aquilo que já experimentei pelo menos uma vez, ou que foi apenas uma fase, como o que faço com mais regularidade, como também coisas que não tenho qualquer condição no momento de explorar (estou a pensar em cerâmica, por exemplo). É um exercício interessante, e que deviam experimentar fazer. Podem ser coisas que gostavam de aprender, ou coisas que gostavam de experimentar ou que se imaginam a fazer mas, por um motivo ou por outro, nunca exploraram a sério. Ou colocaram de parte porque a “vida aconteceu”, e não tiveram oportunidade. Ainda. A Shelby Abrahamsen, a.k.a. Little Coffee Fox, escreveu sobre listas do género, e vale a pena ler para se inspirarem caso queiram aceitar o desafio. E não se esqueçam que é só para consumo próprio: não têm que se preocupar (nem devem) com opiniões alheias, nem sequer com a vossa! Vale tudo. The sky is the limit!

∞ ∞ ∞

Pegando na dita lista, há que olhar para ela com olhos de ver e com algum bom-senso, tendo em consideração factores como:

  • nível de investimento monetário em materiais e formação;
  • potencial de progressão, a.k.a., “jeito para a coisa”;
  • possibilidade de aprender sozinha;
  • tempo necessário para desenvolver a técnica em condições.

Há coisas que não passarão de hobbies por muito tempo: é o caso da caligrafia, que exige muita disciplina e prática até chegar a um nível mais ou menos decente. Neste momento, serve sobretudo como técnica de relaxamento. É o mais próximo que alguma vez estarei da meditação, suspeito. Descontrai-me e ajuda-me a entrar naquele estado de “flow” que tanto falam.

Há outras coisas que faço pontualmente, e são muito práticas. Dão muito jeito. Estou a pensar na costura, por exemplo. Fiz  uns cochins para as cadeiras da sala há pouco tempo, e este fim-de-semana fiz uma capa para uma almofada e, modéstia á parte, acho que uns e outros ficaram supimpa. Ah! E também fiz uma mala para mim (porque quem é que já ouviu falar em “malas a mais”?). A costura dá trabalho e tem um lado um pouco chato: em especial, o lado do meio, e que é a execução propriamente dita. O que gosto mais é o lado do princípio, mais criativo: imaginar o que quero fazer, pensar em soluções, congeminar formas e detalhes, planear uma ideia. E depois, claro, gosto mais da parte final, que é ter o objecto terminado. É uma satisfação enorme esta coisa de fazer algo com as nossas próprias mãos. “Faço” costura para mim, e de vez em quando faço alguma coisa para oferecer, o que me dá imenso gozo.

Tenho ideias para mil e uma coisas que gostava de fazer para mim ou para os “meus” mas, como tem esse lado do meio e que é meio chato, gosto da ideia de não me preocupar em cumprir regras seja de que tipo for. Esforço-me por fazer o melhor possível, para que a coisa não se desfaça após um dia de uso, e tenha bom aspecto, claro. Mas fazê-lo como parte duma linha de produtos, por exemplo, pelo menos por enquanto, sem qualquer formação e preparação e domínio da técnica, não. Sou uma curiosa. Para o bem e para o mal.

Isto são só dois exemplos de actividades práticas e criativas* que gosto de fazer e a que gostava de me poder dedicar mais. A bem da minha e da vossa sanidade, não vou fazer uma lista exaustiva comentada, mas faço uma listinha, vá, assim mais pró geral do que é que me faz perder a noção do tempo. Porque este é um bom barómetro para responder à pergunta: o que faria se não tivesse que me preocupar com o vil metal? (A propósito, espreitem o cartoon do ZenPencils inspirado nas palavras de Alan Watts. É… imperdível. Delicioso mesmo. E assusta um pouco, também.)

∞ ∞ ∞

Mas perguntava eu, o que me faz perder a noção do tempo, e levantar da cama com energia, cheia de vontade e de “vamos lá”?

(sem hierarquias, que o meu espírito anarquista chega a esse ponto, sim)

  • Fotografar
  • Editar as fotografias, brincar com elas, criar novas imagens e padrões (para terem uma ideia do resultado, podem espreitar 1/100 delas no IG @anatorradinhas; os outros 99/100 estão perdidos no telemóvel, no pc ou num qualquer aterro virtual porque de vez em quando tenho que fazer uma limpeza)
  • Escrever (faça-o bem ou mal, é uma coisa de que gosto mesmo muito: gosto tanto quanto odeio falar, sobretudo ao telefone)
  • Fazer origami (é que nem preciso de ter um modelo definido; dobrar papel e ver as formas que se conseguem criar deixa-me completamente absorta – acho que é esse o melhor termo)
  • Fazer trabalhos manuais, e pensar em projectos de trabalhos manuais, e tentar perceber como é que alguma coisa se faz (não ganha um item só para si, mas adoro puzzles também, o que deve ser um dos motivos para gostar tanto de origami)
  • Pensar em formas de comunicar tudo o que tenha a ver com os pontos anteriores: conceber conteúdos, textos, imagens, e por aí para comunicar em diferentes formatos e contextos (é curioso que tenho tido ultimamente mais oportunidades de exercitar tudo isto, o que me tem deixado com mais energia do que o costume para me levantar de manhã e ir para o escritório).

Se olhar para tudo isto no seu conjunto, o meu projecto entusiasma-me também porque é uma plataforma, uma oportunidade, para fazer várias coisas diferentes, dar largas à imaginação e criar alguma coisa realmente minha, que depende de mim. Curiosamente, ou se calhar não, é também por isso que me assusta tanto. Digamos que tenho uma certa atracção pelo abismo.

Ora, uma das muitas “competências” que tenho que desenvolver é a minha capacidade de me focar e de tomar decisões. Basicamente, não me dispersar. O tal do “sweet spot” não é a soma destes pontinhos todos. Não. Tem que ser o ponto de partida para tudo o resto, o núcleo a partir do qual tudo se desenvolve. Mas não precisam suster a respiração que eu já cheguei lá! Podem respirar de alívio, que a coisa tarda mas não falha tanto quanto isso. Antes de começar a escrever este post e os outros anteriores, desde o #0, que já tinha chegado lá. E foi um dos catalisadores para começar o blog, inclusive, porque depois de definido o “sweet spot”, a pergunta seguinte é “e agora…?”.

[chapada na cara e sacudidela auto-infligida para regressar à Terra]

Ora a resposta a 50% do passo 1 da lista do Create & Thrive, gira em torno da fotografia. São os padrões que crio com base em fotografias originais que vão servir de fio condutor para ligar toda e qualquer gama de produtos que venha a desenvolver. É esta a “assinatura” que poderá distinguir o que faço do que outras pessoas e marcas e empresas fazem. Hei-de voltar a este assunto noutras ocasiões, e dedicar posts exclusivamente à fotografia mas, por enquanto, fica aqui assente: padrões originais criados a partir de fotografias é o ponto de partida de tudo.

Não tenho ilustrado os textos com fotos precisamente porque acabo por me perder, e adiar demasiado a publicação. Nunca fico 100% satisfeita (outra “competência” a desenvolver…). Mas acho que aqui se justifica abrir a excepção: para simplificar, deixo uma amostra do instagram, onde vou partilhando as (a)variações com mais frequência. E fico por aqui até à terceira e espero que última parte do primeiro passo. Um de cada vez.

IG_Galeria_Amostra de Fotografias

 

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3 thoughts on “#8 – Essa coisa do “sweet spot”* – parte II

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