#14 – E agora para algo que parece completamente diferente, só que não.

(se não vos apetecer ler as linhas que se seguem, saltem já para as últimas, onde partilho algumas fontes de inspiração e balões de oxigénio para consumir sem moderação)

14_Cenas e Coisas_14Há dias assim. Dias em que por algum motivo, ou por motivo nenhum, sentes que te desligaram da ficha e não tens energia para nada se não para estar sossegada a divagar sem sair do mesmo sítio, num mundo de fantasia onde não existem listas de afazeres, roupa para engomar, contas para pagar.

(Quando escrevo na segunda pessoa do singular, vocês sabem que, na maioria das vezes, estou a pensar na primeira, certo? Sabem que este “tu” é na realidade um “eu”, mas tenho algum pudor em usar o “eu”, talvez porque me faça sentir um pouco narcisista, ou talvez sozinha apenas; faço este parêntesis só para que saibam e não o levem a peito, porque me dirijo a um “tu” apenas imaginário; não estou a pensar em nenhum “tu” em concreto… só no meu “eu”, um “eu” cujo subconsciente tem a não muito secreta esperança de não ser o único “eu” a ter “dias assim”… mas estou a divagar… e a abusar das aspas também… e das reticências, parece-me. Adiante.)

Dizia eu que há dias assim, dias em que te sentes a escorregar para uma espiral de auto-comiseração, ao mesmo tempo que te sentes culpada porque não tens propriamente do que te queixar. Quer dizer, se isso de me queixar fosse “a minha cena”, arranjava do que me queixar certamente. Mas não é “a minha cena”, e tento contrariar a tentação de cair nesse vício de comportamento, mesmo que a única pessoa que sofresse com esse comportamento fosse eu mesma. Enfim… isto de se ser humano é coisa complicada, tricky business, e por mais que se façam piadas com a ideia de dar uma canelada num móvel para deixar de ter dores de cabeça porque, “dizem”, não é possível entreter duas dores ao mesmo tempo, tenho a sensação que consigo entreter dois pensamentos e/ou dois sentimentos em simultâneo. E se é só ilusão, está aqui a prova provada que o cérebro é um bicho mesmo muito estranho e sacana (sneaky bastard…).

Tudo isto para dizer que, em “dias assim”, só me apetece escapulir para um mundo imaginário, onde as únicas coisas que existem e que exigem a minha atenção (mas exigem-na de forma carinhosa) são: uma floresta cheia de verdes de todas as cores, com um solo fofinho e onde as árvores têm troncos macios, para eu me poder encostar, onde corre apenas uma brisa ligeira, a suficiente para agitar as folhas, um pequeno riacho onde mergulhar os pés, uma limonada sempre fresca, uma fatia de bolo de chocolate que nunca chega ao fim e nunca enjoa, e livros e palavras que me inspiram e fazem perder a noção do tempo, e me fazem acreditar com todos os sentidos que vai tudo correr bem. E como é um milagre maravilhoso isto de estar vivo e poder apreciar o mundo que nos rodeia e de que fazemos parte, e podermos testemunhar o milagre que é haver mais vida para além de nós, o milagre que é haver mais seres com quem partilhamos o planeta e com quem, de vez em quando e se tivermos sorte e atenção, partilhamos algo mais.

Hoje tem sido um dia assim, e à falta da floresta, das árvores e da brisa, tenho sempre fontes de inspiração ao alcance, que me servem de balões de oxigénio e me reconfortam em “dias assim”. Pequenas-grandes escapadelas para um mundo imaginado mas muito real, por menos palpável que pareça em muitos dias. E que me lembram, até, que posso sempre olhar para a avaria do esquentador como uma oportunidade de mergulhar o corpo em água “fresquinha”, e sentir-me grata – até – por dias assim.

São as fontes em que “tropecei” mais recentemente que me apetece hoje partilhar. Vou deixar para outro dia os rascunhos guardados, a lista de tarefas inacabada, e até os avanços que fiz. Descubram-nas agora, guardem para um dia, e partilhem com quem vocês se partilham. E se se lembrarem de alguma em especial ao chegarem a este ponto, partilhem-na comigo também. 🙂

Twelve truths I learned from life and writing (Anne Lamott, Ted Talk)

The Gifts we Give, The Gifts We Are (Courtney E. Martin, On Being)

Maria Popova, Cartographer of Meaning in a Digital Age (podcast On Being w/ Krista Tippett)

Em Berlim, idosa retira propaganda nazista das ruas (vídeo DW Brasil)

Jane’s Interview – France – #HUMAN (vídeo, Jane Goodall, via blog seismaisdois)

James Doty, The Magic Shop of the Brain (podcast On Being w/ Krista Tippett)

New neuroscience reveals 4 habits that will make you happy (Eric Barker, Ladders)

(E uma sugestão de banda sonora com imagens)

José Gonzalez – Vestiges & Claws (Full Album Stream incl. Lyric Videos)

 

 

 

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