#18 – Aprender, aprender sempre! E parar de vez em quando…

Aprender_Flatlays Canva

Um dos passos essenciais na construção de um negócio, e em qualquer projecto aliás, inclusive neste de viver, é “aprender sempre, todos os dias”. Este é o quinto dos oito passos definidos pela Jess Van Den, e acaba por ser dos mais óbvios. Dizem que parar é morrer. Eu digo que morrer é parar de aprender.

Mas esta não é a história toda. Nem o único ângulo, porque aprender corre o risco de se tornar num vício e numa armadilha para procrastinadores como eu que, além do perfeccionismo, do medo de fazer asneira, e da insegurança, adora aprender.

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Aprender é para mim uma espécie de atracção fatal. Adoro pesquisar, descobrir coisas novas, explorar, experimentar, conhecer, aprofundar. Satisfazer e alimentar a minha curiosidade, porque este é um processo interminável que se alimenta a si próprio. Como decorar uma casa, nutrir uma relação, ou cuidar de uma planta, aprender é um processo contínuo, sempre em desenvolvimento. Com altos e baixos, momentos de bloqueio e outros mais fluidos.

Quando aprendemos, desafiamo-nos a nós próprios, o cérebro ganha ginástica, e por momentos sentimos que temos um mundo de possibilidades mais próximo. Mas isto é uma ilusão. Como diz a Lucy Tones, chega um momento em que é preciso parar de aprender e fazer. Há que colocar em prática e testar: para perceber até que ponto se aprendeu de facto, para identificar o que precisa de ser consolidado, e para dar sentido ao próprio processo de aprendizagem.

Aprender pode mesmo ser uma forma de procrastinação. “Ah, preciso só de ler mais um pouco, de ver mais um podcast, de tirar notas de mais um tutorial, e então sim, posso avançar com toda a confiança”. Só que não. Se juntarmos sede de aprender, curiosidade insaciável, insegurança e medo da própria sombra, com procrastinite crónica, temos uma receita infalível para a desgraça: a minha desgraça, no caso. Mas dizem que reconhecer que se tem um problema é o primeiro passo para a cura. E eu estou dolorosamente consciente do meu problema neste campo, ou melhor, do problema que crio a mim própria.

Já perdi a conta ao número de blogs que li, à quantidade de newsletters que subscrevi, ao volume de “how-to’s” e webinars e pdf’s que guardei, sempre na esperança ilusão de que seriam a panaceia para a minha desorientação. Por mais que adore “observar e absorver”, usando as palavras do grande-enorme-maior-que-a-própria-vida Eduardo Marinho, filósofo brasileiro que admiro (para dar uma ideia da abrangência dos assuntos que me interessam), por mais que goste de me perder e de perder a noção do tempo em pesquisas e leituras, sei que estou a adiar o inevitável: fazer. Fazer, arriscar, errar se for preciso (e tantas vezes, é preciso). Mas sem isso, nada disto faz sentido.

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Ora, são vários os desafios e posso dividi-los em três “áreas” ou “fases”:

  1. O que aprender? Há que definir prioridades em relação ao que queremos aprender. Querer-querer, quero aprender muita coisa, mas o que é prioritário? Em determinada fase, o que é mais importante aprender para avançar e passar à próxima fase, onde é que devo concentrar as minhas energias e aplicar o meu tempo?
  2. Como aprender? Tendo em conta o ponto anterior e os recursos que tenho (de tempo e dinheiro, e também de “estado dos conhecimentos”), como é que vou aprender isto ou aquilo? Que fontes de conhecimento vou usar como guia?
  3. Quando parar de aprender e passar a fazer? Em que ponto é que devo passar à acção? Durante o processo de aprendizagem (e digo durante, porque podemos aplicar a regra muito geral de que a aprendizagem nunca é total e completa em relação a nada), quando é que é altura de parar para colocar em prática?

Em relação a estes desafios, a resposta não ocupa tão poucas linhas nem é tão fácil de enunciar. Mas vamos tentar? “Vamos. Por partes.” Por agora, fico-me pela primeira parte, e deixo as outras duas para os Cenas & Coisas #19 e #20.

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1. Neste momento, está em fase de produção a tal linha que estou a desenvolver. Como se trata de impressão em tecido feita por uma gráfica, este é um passo que não está nas minhas mãos de momento. Mas está longe de ser o único, e há muitas outras tarefas que preciso de fazer, cada uma delas com vários itens. Não vou ser exaustiva (aqui), para não vos maçar… nem me assoberbar, até porque a ideia é conseguir terminar este texto.

Embalagem

O formato e o conceito estão definidos; há que escolher materiais, testar e preparar a montagem, e tratar da informação que vai ser colocada na própria embalagem assim como a que vai acompanhar o produto (sob a forma de folheto desdobrável).

Este conjunto de tarefas implica dominar um pouco melhor as ferramentas que uso para edição de imagem, seleccionar a informação essencial – a mensagem – que quero transmitir, e encontrar um equilíbrio entre os meios, os objectivos e o resultado final.

Fotografia de produto

A fotografia faz parte do próprio conceito da marca, mas é também uma ferramenta essencial de comunicação. Preciso de definir o ambiente em que quero tirar fotos ao produto, isolado e em uso, e chegar à linguagem mais condizente com toda a história que quero contar, de modo a ter uma imagem coerente e harmoniosa, e ao mesmo tempo interessante e cativante, capaz de chamar a atenção do potencial cliente sem deixar de transmitir as características reais do próprio produto.

Aqui, o grande desafio vai ser mesmo escolher a ideia para o ambiente, e é inevitável que seja um processo de experimentação até perceber o que funciona ou não.

Preços

Talvez seja um dos aspectos que me custa mais, passe a expressão. Não que seja tecnicamente difícil – é apenas chato – mas porque implica tomar decisões que são muito importantes. Implica encontrar um equilíbrio entre o custo total do produto, a rentabilidade, e o que é percebido como justo e adequado pelos potenciais clientes e também para mim.

Este é um processo sobretudo de estudo e análise de todos os custos envolvidos, incluindo o do meu próprio trabalho. É chato, moroso, mas é obrigatório.

Comunicação e presença online

Um dos elementos-chave, e que podia ser o primeiro desta lista, é o logótipo e a identidade de marca. Uma vez isto definido, é o que vai servir de mote para a construção do website e para a definição de uma estratégia de comunicação nas suas várias vertentes. Para além da própria embalagem, existe ainda a comunicação nas redes sociais, na loja online (descrição de produto, em especial), e comunicação mais dirigida através de uma newsletter, por exemplo. Este tema é composto de muitos muitos elementos, e hei-de abordá-lo em maior detalhe noutra ocasião.

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Assim de repente, tenho o prato cheio. Como não posso fazer tudo ao mesmo tempo – dá asneira, que é o mesmo que não dar em nada – vou focar-me em fechar o tema do logótipo e tratar da embalagem. Como é mais forte do que eu arranjar sarna para me coçar, e como a fotografia é presença obrigatória de uma forma ou de outra nos meus dias, vou trabalhando nisso também. Aliás, “trabalhar” não é o melhor termo, se pensarmos em trabalhar como uma coisa fastidiosa e um sacrifício. É tudo menos isso. Vou brincar com a fotografia (como fiz com a “flatlay” que está no início deste texto, e que foi a primeira que fiz assim mais a sério, com a ajuda do Canva, uma das ferramentas que estou a usar para criar imagens para o blog).

(Agora que penso nisso, proponho resgatar a palavra “brincar”, redimi-la, e devolver-lhe toda a nobreza que merece! É a brincar que as crianças aprendem, foi a brincar que desenvolvemos este cérebro e este corpo, e nós adultos merecemos aprender duma forma que nos encha a alma e dê energias, em vez de as esgotar. Concordam?)

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E vocês? Em que estão a “trabalhar” neste momento? Quais as dificuldades ou bloqueios que estão a sentir, Ou melhor, que desafios estão a dar-vos dores de cabeça, e que estratégias usam para os ultrapassar?

E já que falei em brincar a sério, e estou numa de perguntas, o que é que gostavam de aprender? Pensem nalguma coisa que vos enchesse a alma e desse também energias, sem se preocuparem se é útil, sem se prenderem às expectativas dos outros, nem sequer às vossas sobre o que “é suposto” fazerem. Porque viver é uma brincadeira séria e não um trabalho necessário! Certo? Certo. 

 

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One thought on “#18 – Aprender, aprender sempre! E parar de vez em quando…

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